24 de marzo de 2016

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CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE TRIATHLON

Um ano mais tarde voltamos a Santiago de Chile, mas trocamos a câmera fotográfica por uma bicicleta e a viagem de turismo pela competição desportiva. Não é uma prova a mais. Tento-me afastar da pressão, mas é a minha estreia em 2016, a minha estreia com as cores do Brasil, a minha volta a ITU após quase três anos e a primeira porta de um longo caminho de volta para o profissionalismo. Tudo isso no Campeonato Sul-Americano de Triathlon.

Aterrissei quarta-feira na capital chilena onde fui espetacularmente recebido por Gaspar Riveros e sua família. Amo os dias prévios a um campeonato: horário flexível, treinamento leve temperado com estímulos fortes, muitas horas de sono e um acúmulo de força física e psicológica para entregar no domingo.

No dia da prova o celular estava fumegante, rumores depois confirmados dizem que os age group estão disputando uma aquathlon porque a polícia negou as permissões de tráfego para o ciclismo. - "O que?" - Me pergunto. – “É o Chile." – Me diz Gaspar.

Chegamos no parque de transição em um mar de dúvidas. Em princípio será aquathlon (1,5 km de natação e 10 km de corrida), mas não nos podem confirmar até quinze minutos antes da partida, mas as bicicletas ficaram prontas caso fosse necessário. Sem perder um pouco de calma ou vontade, aqueço e visualizo a prova.
Chamada para sair. Os leões marinhos a uns cem metros do percurso de natação nos lembram da temperatura da água. O frio vai embora com as primeiras braçadas após a largada. Parto do lado direito procurando o caminho mais curto até a primeira boia. Logo eu me coloco em primeiro lugar no lado direito, mas muito atrás em comparação com a ponta esquerda, onde estão os melhores nadadores. Decido seguir a minha aposta com toda a minha força, mas continuo perdendo terreno e finalmente desenho uma diagonal para o lado esquerdo a fim de buscar a proteção do grupo. As sensações não são boas e estou atrasado, em torno da 10ª posição. Com muito esforço ganho uma posição antes da bóia. Outra na bóia. E outra repetindo operação no seguinte giro. Depois de deixar atrás as sensações ruins e o frio, fico num 4º lugar que já não vou deixar até sair do Pacífico.

Transição. Deixo a roupa e calço os tênis. - "Ouch!" - A água fria tem seu preço e várias cãibras me recomendam ir devagar até controlar meus músculos, que finalmente relaxam quando começo a correr pelo passeio. Perdi posições e começo forte. Muito forte. Assumo a liderança aos 500 metros com o meu amigo Riveros (CHI) e Matute (ECU) colados nas minhas costas. Ainda aumento o ritmo procurando ficar sozinho. Não olho para trás, mas em torno do primeiro km deixo de ouvir passos atrás de mim. - "Venha, você está onde queria, apenas 9 kms mais" –
O corpo anseia calma, mas peço força e ritmo. No primeiro giro de 2,5 kms vou com 23 segundos à frente. Continuo lutando e focando-me: o movimento do braço, abdome, frequência, pé reativo. Após a segunda volta, a vantagem aumenta, o ritmo me pesa e caio um pouco. Aparecem os primeiros pensamentos de vitória que tento apagar. Movimento do braço, abdome, frequência, pé reativo...

Última volta. Agora sim. Estico a mão para parabenizar o público, salto, olho para o céu, o público, o mar. Lembro-me de muitas pessoas e levanto a fita da meta. Sou o Campeão Sul-Americano de Triathlon! Gaspar (2º) e Bruno Matheus (3º) completam o pódio. Dificilmente conseguirei dormir esta noite. Sei que os melhores do continente estavam hoje ausentes em luta pelo Rio 2016, mas para mim este é um ótimo pequeno passo em um longo e emocionante caminho. Lume!

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